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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Grupo "Mães que Choram".Mães se unem em busca de uma justiça que não sabem onde está, e para salvar seus filhos das drogas e da criminalidade em BH

Não há sofrimento que sobreviva em um coração de mãe. O amor é sempre maior e capaz de transformar o mundo. Basta ter apoio e dar tempo ao tempo. Foi no coração de Elizete Marques, de 49 anos, que nasceu o grupo "Mães que Choram", uma iniciativa para ajudar várias mães que estão perdendo seus filhos para as drogas, a criminalidade e a violência.

Inicialmente, era um grupo ministerial chamado CRER, com seis anos de existência. No entanto, as pessoas ficavam intimidadas pelo caráter religioso e não participavam.

Em maio de 2012, o filho de Elizete foi assassinado. E, da dor, nasceu o grupo "Mães que Choram". "O assassino do meu filho era um dos jovens que eu ajudava. Ele achava que o meu filho havia denunciado seus crimes para a polícia. Durante dois meses eu tive ódio do mundo e quis desistir de tudo. Eu me sentia traída por ele", desabafa.

O nome do projeto foi escolhido por causa das lágrimas dessa mãe, e, há oito meses, se desvinculou das questões religiosas. Elizete recebeu o apoio da comunidade e da diretora da escola onde trabalha. É lá que o grupo se reúne toda segunda-feira.

Além dos encontros, as mães visitam as famílias, levam doações de roupas, utensílios, alimentos e tudo mais de que precisarem. "Para manter o vício, eles vendem tudo o que tem dentro de casa, prejudicando a família", explica Elizete.

Apoio

Eliana de Castro da Silva, de 52 anos, afirma que muitas mães não têm coragem de gritar e pedir socorro. "Nós fazemos visitas aos mais necessitados levando uma palavra amiga, uma oração e um abraço". Para ela, é muito grande a satisfação de poder ajudar o próximo. "Se conseguirmos salvar uma vida, já estaremos felizes, já valeu a pena", confessa, emocionada.
Valdirene Maria Gonçalves, de 40 anos, também faz parte do grupo. Amiga e colega de trabalho de Elizete, ela abraçou a causa. "É uma forma de ajudá-la e muitas outras mães".

Para Valdirene, mesmo com pouco tempo de criação, o projeto já dá resultado, tanto para a amiga como para outras mães. "Esse trabalho dá uma força a mais para a Elizete seguir em frente, e, assim como ela, muitas mães encontram força na nossa ajuda".

Força

A educadora afirma que encontrou sentido para seguir em frente na fé. "Quem perde um filho como eu se agarra na fé. Mas quem tem um filho preso ou solto nas ruas perde a esperança, e é muito mais difícil". A intenção do grupo é unir forças para ajudar as autoridades a agirem com maior agilidade para fazer cumprir uma Justiça que existe mas que não se sabe onde está.

Elizete acredita no que faz, e, com isso, conseguiu amenizar a sua imensa dor. "Hoje, sinto mais amor do que ódio. Esse jovem que assassinou meu filho é uma vítima da sociedade e da falta de Justiça".

Elizete lamenta o fato de ele estar solto. Ela não pensa em vingança, mas quer que ele pague pelos crimes que cometeu, não com punição, mas em uma casa de recuperação. "Se outras mães que passaram pelo que eu passei tivessem tido coragem de lutar e ajudar outras pessoas, talvez meu filho estivesse vivo, aqui comigo".
Em busca de ajuda
O grupo "Mães que Choram" busca parceiros para ampliar as suas atividades. "Precisamos de psicólogos, fisioterapeutas e quem mais puder ajudar", afirma Elizete. A presidente do grupo também ressalta a necessidade de encontrar clínicas para dependentes químicos que queiram ajudar. O grupo se reúne todas as segundas-feiras, às 20h, na Escola Municipal Professora Acidália Lott. Rua São Rodrigues, 10, bairro Paulo VI, Belo Horizonte. Os contatos também podem ser feitos pelo site www.maesquechorambh.blogspot.com.

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